Olá, meus queridos leitores e leitoras! Chego até vocês através da Edição 248ª “bem “recheadinho” de boas notícias, ricos relatos e experiências bonitas das Comunidades Educativas. Agradeço-lhes pelas parcerias que estão se tornando cada vez mais fortes; desta vez, sem destaques especiais… Todas as Comunidades estão de parabéns pela qualidade das matérias. Obrigado, e até a próxima!
Comunidades religiosas das Filhas de Maria Auxiliadora, de todo o Brasil, participam de encontro com a Superiora Geral, Madre Chiara Cazzuola
Inspetoria Nossa Senhora Aparecida
No sábado, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Conferência Interinspetorial do Brasil (CIB) reuniu as comunidades religiosas das quatro Inspetorias das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) para um encontro online com Madre Chiara Cazzuola, Superiora geral do Instituto das FMA.
O encontro, organizado em preparação ao Seminário Interâmbitos – que já foi ou está sendo realizado em todas as Inspetorias FMA do Brasil – teve como tema “Por uma animação generativa” e alcançou 82 pontos de conexão, unindo as Irmãs Salesianas de norte a sul, em grandes capitais, assim como em cidades menores e até mesmo nas regiões missionárias e mais isoladas do Rio Negro.
O desafio lançado às FMA para este encontro com a Madre Geral foi o de participar do evento comunitariamente, pois o Seminário Interâmbitos se coloca em linha com a opção da Igreja, que deseja ser cada vez mais sinodal, ou seja, caminhar juntos!
Para o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, a sinodalidade missionária é justamente uma das escolhas prioritárias do último Capítulo Geral (2021).
O encontro foi aberto oficialmente por Irmã Alaíde Deretti, Presidente da CIB e Inspetora da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP), de São Paulo, que saudou Madre Chiara agradecendo sua disponibilidade, o tempo dedicado à CIB e a prontidão com que aceitou o convite, mesmo em meio aos muitos compromissos e trabalhos que possui.
Durante o encontro, Madre Chiara desenvolveu o tema “Por uma animação generativa”, trazendo para a reflexão alguns documentos do Instituto das FMA, como as Constituições, o Projeto Formativo e as Linhas Orientadoras da Missão Educativa, analisando a partir deles a conexão entre animação e governança. Madre Chiara também ajudou as participantes a revisitar a vida de Santa Maria Domingas Mazzarello e São João Bosco do ponto de vista da animação generativa.
Em sua reflexão, Madre Chiara afirmou que a governança «tem o propósito de ajudar as pessoas e as comunidades a realizar sua vocação na missão educativa, em fidelidade ao carisma de fundação». «Não há animação sem governo e não há governo sem animação», disse a Madre.
Para a Superiora geral, «o serviço de animação e governo pode ser levado adiante apenas por pessoas apaixonadas que, através da fé e da esperança, tornam Deus presente nas diversas e inéditas situações que nos interpelam. Pessoas que mantêm o olhar fixo em Jesus, o Senhor».
Indicando momentos e situações cotidianas da vida de Santa Maria Domingas Mazzarello, Madre Chiara deixou claro que, na Cofundadora do Instituto das FMA, «não encontramos nenhuma teorização sobre a animação, suas características, finalidades e método». Nela, «há a experiência, ou seja, um estilo de presença ao lado das pessoas, que não é apenas espontâneo, mas é fruto de um processo de formação».
Em relação a São João Bosco, a Madre destacou que o fundador da Família Salesiana, «era consciente de que a realidade educativa não pode ser um projeto individual, mas sim uma obra que tem implicações sociais, políticas e religiosas. Por isso, todas as pessoas interessadas no futuro da humanidade devem contribuir para ela. Ele nunca estava sozinho na realização de seus projetos». Portanto, Dom Bosco conjugava muito bem animação e governança!
A difícil arte do confronto
Após a palestra de Madre Chiara, as Inspetoras Irmã Teresinha Ambrosim (Belo Horizonte – BMM) e Irmã Maria Américo Rolim (Recife – BRE) fizeram algumas considerações, apresentando ressonâncias sobre o conteúdo exposto e colocando algumas questões a serem aprofundadas – enquanto CIB – sobre animação e governança.
Irmã Teresinha Ambrosim agradeceu a Madre garantindo que «cada palavra sua está ressoando muito fortemente em cada uma de nós que vamos, a partir de março, começar os nossos Seminários Interâmbitos locais». Ambrosim também reforçou o que a Madre disse durante sua palestra, que «todas nós temos autoridade, temos o nosso trabalho de governo e animação… você colocou artigos das Constituições que nós já sabemos, mas que às vezes ficam no esquecimento…». Segundo a Inspetora da BMM, este momento «foi um acordar». Além disso, enfatizou que as FMA do Brasil vão retomar a palavra de Madre Chiara: «Vamos “mastigar”, digerir bem essas suas palavras que vão nos aquecer nesta grande comunhão».
Irmã Teresinha também agradeceu «o apelo de escuta que você nos fez… de escutarmos umas às outras». Disse da importância de «[…] envolver todas na escuta…», o que lembra a carta do Papa Francisco sobre o Ano Jubilar: «a paciência é filha da esperança».
Já Irmã Maria Américo Romim reforçou os agradecimentos, ressaltando que «é um presente de Deus podermos nos encontrar de novo». «A sua palavra é realmente uma luz para o nosso momento, porque todas as comunidades já estão se preparando para fazer o Seminário». Rolim destacou que «estamos num tempo em que a palavra da Madre chega para nós, a palavra da Igreja chega para nós, a Palavra de Deus está sempre conosco».
Irmã Maria Américo solicitou à Madre uma palavra sobre um ponto: «a difícil arte do confronto», especialmente no que se refere ao uso dos bens e à prestação de contas.
Abriu-se assim espaço para o diálogo, no qual a Madre reforçou em sua resposta a necessidade de cultivar um mais consistente sentido de pertencimento ao Instituto, às Inspetorias e às comunidades locais. «O sentido de pertença, o sentido de família… acredito que precisamos trabalhar muito para que este cresça em cada uma de nós», destacou Madre Chiara.
A Madre também refletiu sobre a clareza vocacional e as motivações vocacionais de cada FMA. Insistiu que «nós somos uma família, a minha comunidade é uma família, a Inspetoria é uma família, o Instituto é uma grande família […]» na qual «para ir em frente, juntas, é necessário que nós vivamos coerentemente os votos que, com liberdade, professamos».
A Madre, portanto, confirmou dois aspectos a serem trabalhados na vida de uma FMA: «o sentido de pertença ao Instituto e a liberdade e a responsabilidade com a qual eu, espontaneamente, livremente, fiz os meus votos».
Tempo de reavivar o fogo e um “obrigada coral”
Também Irmã Alaíde Deretti fez uma ressonância recordando que «estamos no tempo de reavivar o fogo». Segundo Deretti, a colocação da Madre «fez entender que todas têm a sua parcela de animação, porque na comunidade não é uma que anima: somos todas que nos animamos!». Recordando Dom Bosco e Madre Mazzarello, Irmã Alaíde enfatizou que «o nosso estilo de animação é um estilo familiar, não é um estilo complicado». Completou reforçando a necessidade do sentido de pertença, do espírito de família, do animar-se reciprocamente.
Em nome de todas as FMA do Brasil, Irmã Narcisa Berti, da Comunidade Maria Auxiliadora de Lins (SP), agradeceu a Madre Chiara ressaltando o seu testemunho de ser presença e de estar presente a esta iniciativa da CIB. Convidou todas as Irmãs a expressarem um grande obrigada à Madre, porque no próximo mês de abril vai ser celebrada, em nível de Instituto, a Festa da Gratidão. Segundo Irmã Narcisa, este encontro online com a Madre é a grande oportunidade «para dizermos juntas: obrigada por tudo».
Para encerrar a manhã de sábado, Irmã Maria Carmelita Conceição, vice-Presidente da CIB e Inspetora da Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia (BRM), de Manaus (AM), expressou o agradecimento à Madre em nível de CIB: «só a Madre para fazer o Brasil inteiro se conectar e viver este momento de fraternidade». Recordou que as palavras da Madre «chegaram no momento certo, momento em que estamos iniciando a caminhada quaresmal».
Irmã Maria Carmelita destacou a dimensão da sinodalidade, do caminhar juntas, na esperança: «caminhar não sozinhas, mas como comunidade, como estamos hoje, aqui». Sinalizou também o tema das distâncias e do milagre: «este já é um primeiro milagre, o milagre de nos empenharmos em estar juntas para, em torno da Madre, celebrar e ao mesmo tempo nos prepararmos para viver a Quaresma, na sinodalidade e também na esperança». Irmã Carmelita concluiu a sua saudação antecipando os votos de uma Feliz Páscoa à Madre, ao Conselho Geral e a todas as FMA do Brasil.
Com a projeção do vídeo, Hino a Madre Mazzarello – “Contempliamo il tuo volto”, encerrou-se o encontro com Madre Chiara Cazzuola que trouxe ao Brasil FMA a alegria de escutar e acolher o Magistério da 10ª Sucessora de Madre Mazzarello.
O encontro com Madre Chiara foi moderado por Irmã Maike Loes, Coordenadora de Comunicação da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP), de São Paulo.
Dom Samuel é acolhido na arquidiocese de Manaus para “verdadeiramente ser um instrumento de Deus”
CNBB Regional Norte 1
A arquidiocese de Manaus, numa Eucaristia celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, acolheu seu novo bispo auxiliar, dom Samuel Ferreira de Lima, nomeado pelo Papa Francisco no dia 25 de novembro de 2024 e ordenado no dia 1º de fevereiro de 2025 em Rodeio (SC). A celebração contou com a presença dos bispos de Manaus, de várias dioceses do Regional Norte1, do clero local, da Vida Religiosa, seminaristas, representantes das paróquias, áreas missionárias, comunidades, pastorais, movimentos e organismos da arquidiocese.
No início da celebração, depois de ser lida a Bulla pontifícia de nomeação, repetindo o gesto realizado na ordenação, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, junto com os bispos auxiliares, dom Zenildo Lima e dom Hudson Ribeiro, entregaram o báculo, sinal de pastoreio, a dom Samuel.
O novo bispo iniciou sua homilia destacando no Evangelho a realidade do rio, algo presente no povo da arquidiocese de Manaus, “o rio que traz vida, o rio que faz a ligação entre as pessoas, o rio que traz o alimento.” Entretanto, disse o bispo, “Pedro vive uma experiência de frustração, a experiência do cansaço, da dor, de ter trabalhado a noite inteira e nada ter conseguido”. Nessa situação, “Jesus faz um convite a ele: lançar as redes em águas mais profundas”, ressaltando que “esse convite que Jesus faz a Pedro, também faz a cada um de nós, que diante dos dilemas da vida, muitas vezes nos sentimos cansados, acabrunhados, desesperançados, alquebrados pelas situações que humilham, que degradam, que excluem, que nos distanciam da verdadeira dignidade de sermos filhos e filhas do Deus amado.” “Pedro acolhe a Palavra, Pedro aceita o convite que Jesus faz e lança as redes em águas mais profundas”, disse dom Samuel, explicitando que “o significado em lançar as redes em águas mais profundas em nossa vida, significa a partir da palavra de Deus que nos faz perceber, como diz o profeta Isaías, que somos pecadores, que somos limitados, mas a Palavra vem como um toque em nossa boca. Para nos libertar, para nos dignificar, para nos impulsionar a se responsabilizar, a ir.”
O bispo auxiliar enfatizou que “cada um de nós é chamado a se colocar nessa disposição, de acolher a palavra de Deus, e no toque dela, se lançar na disposição de deixar o Senhor agir através de nós, de Ele nos enviar. Cada um de nós, como batizados, somos enviados ao mundo para anunciar a boa nova do Evangelho, como nos diz São Paulo na Carta aos Coríntios, anunciar isso, que morreu por nós, que nos libertou do pecado e da morte. E que nos convida a lançar as redes em águas mais profundas”, que significa “cada dia se perguntar qual o sentido daquilo que nós estamos fazendo, para onde estamos indo, qual é a intensidade, a profundidade da vivência de fé que nos motiva a agir em prol dos irmãos, anunciando a boa nova.”
“O Evangelho é sempre um questionamento e uma provocação a todos nós. O Evangelho deve fazer com que todos nós nos sintamos inquietos, confrontados, porque precisamos cada dia nos converter”, disse o bispo auxiliar de Manaus. Segundo ele, “precisamos cada dia aprofundar a vivência de fé e a nossa espiritualidade para não fazer da nossa vivência de fé uma cultura religiosa. Não viver nas superficialidades divinas, não viver nas superficialidades dos ritos, mas ao contrário, fazer com que a paciência seja mais forte. A palavra de Deus se traduz em nossa vida como sentido, como razão, como elemento que dá significado aquilo que a gente faz, aquilo que a gente vive, o trabalho que a gente exerce.”
E é a partir dessa experiência, segundo dom Samuel, “que Jesus diz a Pedro que ele não vai ser mais um pescador comum, um homem simples, mas pescador de homens.” Por isso, o bispo afirmou que “todos nós somos chamados hoje a ser pescadores de homens. Pescar, trazer a humanidade, os homens, para sua dignidade plena de filhos de Deus. Trazer os homens para a vivência do Evangelho que liberta e nos faz ser realmente irmãos e irmãs”, lembrando as palavras de João 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude”. Somos desafiados a “fazer a pescaria dos homens, homens caídos pelas ruas, pelas situações de sofrimento, de opressão, de abandono, de exclusão, resgatar o humano em sua plenitude”, lembrando a inauguração da Casa da Esperança, inaugurada na última sexta-feira para “resgatar, pescar o homem para sua dignidade, trazer a vida aos seres humanos, trazer para a plenitude de Deus, para junto do seu coração.” Dom Samuel Ferreira de Lima sublinhou que “essa deve ser a nossa missão, por isso todos os dias devemos nos questionar e se perguntar até que ponto estamos verdadeiramente aprofundando a nossa fé, até que ponto estamos assumindo o Evangelho como a razão do nosso viver, até que ponto estamos encarnando a Palavra de Deus para que ela se torne Palavra viva em nosso ser e em nosso agir.” Ele disse que “essa provocação constante nos faz ir aprofundando, adensando e nessa experiência se colocando na disponibilidade de servir e no serviço realmente ser plenificado.”
O bispo franciscano citou São Francisco: “É dando que se recebe”, afirmando que “à medida que a gente partilha, que a gente se doa, que a gente se coloca, realmente a gente é plenificado em Cristo, a gente é renovado na graça, a gente é transformado no Espírito.” Diante disso ele fez um convite para que “peçamos essa disposição que o povo tinha que ir ao encontro de Jesus para ouvir a palavra e através da palavra se sentirem esperançados e ali retomar a vida numa nova perspectiva, num novo dimensionamento, numa nova postura, uma postura que nos faz esperar em Deus.”
Por isso, disse o bispo, “somos convidados neste ano a sermos peregrinos da esperança, aqueles que envolvidos pelo Espírito de Deus vão ao encontro dos irmãos. Levar o amor, a fraternidade, a misericórdia, a compaixão, o cuidado, o cuidado com a vida, o cuidado com a dignidade da pessoa humana.” Por isso, disse o bispo, “a grande responsabilidade em nossa vida, como batizados e batizadas, como discípulos e discípulas missionários de Jesus Cristo, somos chamados a um posicionamento realmente profético, autêntico, que nos faz cada vez nos lançar para águas mais profundas. E assim, verdadeiramente deixar que a vocação que Deus concedeu a cada um de nós possa crescer, possa desabrochar, possa frutificar.”
Dom Samuel pediu as orações do povo, “para que ao assumir esse ministério junto a essa igreja particular, possa verdadeiramente ser um instrumento de Deus. Possa verdadeiramente ser o irmão ao lado de cada irmão e cada irmã. Ser verdadeiramente um servo que traduz e coloca o Evangelho como a vida”. Ele convidou a pedir “essa graça para que em todos os movimentos, todas as pastorais, em cada ação de evangelização”, e junto com isso, “sejamos o esperançar de um tempo que se abre com novos céus e nova terra. Mesmo diante de tantas dificuldades, sempre esperar em Deus. Porque nele somos fortes, nele somos vitoriosos, nele somos enviados para sermos pescadores de homens. Que essa missão seja assumida cada dia, em cada instante, em tudo o que fazemos e vivemos.”
11º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas:
Um crime invisível que precisamos combater
REPAM
No 11º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, realizado em 8 de fevereiro, unimo-nos em solidariedade e ação contra uma das formas mais cruéis de violação dos direitos humanos. Em 2024, o Brasil registrou 1 caso alarmante de tráfico humano por dia, evidenciando a gravidade desse crime que afeta milhões globalmente, especialmente mulheres, crianças, migrantes e refugiados.
Como destacou a irmã Rose Bertoldo, do Grupo de Mulheres da REPAM-Brasil e secretária executiva do Regional Norte I da CNBB, este dia não apenas lança luz sobre o problema, mas também nos convoca a agir. “O tráfico humano abrange formas ocultas de exploração, desde a exploração sexual até o trabalho escravo e a venda ilegal de órgãos. A vulnerabilidade social muitas vezes coloca as pessoas em maior risco, tornando-as alvos simples para os traficantes”.
A campanha deste ano, sob o tema “Embaixadoras da Esperança”, destaca a importância da prevenção e da conscientização. Através da operação e da mobilização global, buscamos não apenas dar visibilidade a essas atrocidades, mas também promover ações concretas para proteger os vulneráveis e combater o tráfico de pessoas em todas as suas formas.
É essencial denunciar quaisquer suspeitas de tráfico humano através dos canais adequados, como o Disque 100 – Direitos Humanos ou Disque 180. Somente através do esforço conjunto, incluindo organizações como a Rede Um Grito Pela Vida e outras instituições engajadas, podemos fazer a diferença e oferecer esperança às vítimas.
Neste Dia Mundial de Oração e Reflexão, unamo-nos em solidariedade, fortalecendo nosso compromisso de não apenas orar, mas também agir contra o tráfico de pessoas, protegendo os mais vulneráveis e defendendo a dignidade de todos os seres humanos.
Jubileu da comunicação, sementes de esperança para germinar a verdade
Gianmarco Murroni – Vatican News
O primeiro dos grandes eventos organizados para o Ano Santo foi apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé. O encontro contou com a presença do Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, do secretário Mons. Lucio Ruiz e do Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, Dom Rino Fisichella: “Comunicar a esperança é um grande desafio, mas ao fazê-lo o bem sempre prevalecerá”
As celebrações em homenagem a São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, deram início ao Jubileu do Mundo da Comunicação, o primeiro dos grandes eventos organizados para o Ano Santo. Na manhã de sexta-feira (24), na Sala de Imprensa da Santa Sé foram apresentadas as várias atividades que animarão esses dias. O encontro contou com a presença do pró-prefeito da Seção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo do Dicastério para a Evangelização, Mons. Rino Fisichella, do prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, e do secretário Mons. Lucio Adrián Ruiz. Também estavam presentes a jornalista Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, e o escritor Colum McCann, convidados para um encontro cultural que se realiza neste sábado (25/01) na Sala Paulo VI.
O desafio da esperança
“Este Jubileu da Comunicação é uma experiência humana universal: quando se vive espiritualmente a experiência do Jubileu, é possível contá-la aos outros da melhor maneira possível. Esse é o objetivo: os comunicadores são os principais responsáveis por compartilhar aos outros a positividade, a beleza e a espiritualidade. Dessa forma, ao longo do ano todos poderão fazer um relato coerente”. São palavras de Dom Rino Fisichella, segundo o qual comunicar a esperança é um grande desafio: “Nem mesmo os artistas foram capazes de dar um rosto à esperança. A única representação que temos dela é um sinal cristão, a âncora. Essa âncora vem de uma passagem do Novo Testamento, mas encontra uma similitude nas catacumbas: esse é o sinal de esperança diante da morte. Para comunicar que, apesar da violência e da morte, apesar do mal que nos cerca diariamente, temos a certeza de uma esperança que não decepciona, significa que o bem sempre prevalecerá”.
Contar a esperança
“Talvez precisemos voltar às raízes da vocação, da nossa missão, da nossa paixão por esse trabalho de jornalistas e comunicadores”, comenta Paolo Ruffini. “Não chegamos em um beco sem saída, mas provavelmente nos perdemos um pouco em um labirinto no qual todos nos comunicamos, mas não nos entendemos. Este evento pode ser um momento de renascimento para os jornalistas, mas não só isso”. Especialmente na época em que vivemos em um mundo onde “todos são comunicadores, onde a comunicação está dentro de um paradigma tecnológico que talvez precise ser repensado para restaurá-lo à beleza do compartilhamento. Este é o momento de reconsiderar algumas coisas, ainda temos tempo para redescobrir o caminho da comunicação”. Segundo o prefeito do Dicastério para a Comunicação, “somos feitos de histórias: histórias que nossos pais nos contaram quando éramos crianças; histórias de nosso país; histórias de nossa família; histórias pelas quais passamos”. Contar histórias que transmitam o dinamismo do bem ajuda a mudar as coisas. É também por isso que criamos a hashtag #hopetelling: vamos conectar uma rede que conta a esperança e ver o que acontece”.
Um mundo de verdade
O Jubileu, portanto, é um momento para comunicar a esperança, para que ela não se torne “algo reservado para cada um de nós; ao contrário, que seja algo que recebamos para dar aos outros. Para que o mundo inteiro, como diz o Papa, possa entender essa esperança que vem de Deus. Caminhar na direção dos outros com uma verdade comunicável e semear a esperança”. Mons. Ruiz sublinha a importância de “pegar esses grãos de esperança que estão na realidade para que se tornem os pontos que tecem a história”. Se todos, desde a pequena realidade diária até a macro-realidade do mundo, pudessem olhar para a verdade e a esperança, as relações seriam absolutamente diferentes. Isso faz parte do apelo do Papa Francisco e o significado do Jubileu da Comunicação: poder semear esperança para criar um mundo que nos leve adiante na verdade”.
Povos indígenas e quilombolas ampliam mobilização no Congresso de Direitos Humanos da Amazônia e na Seduc
Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM
Nesta quinta-feira, 16 de janeiro de 2025, a resistência dos povos indígenas e quilombolas contra a precarização da educação pública no Pará ganhou novas dimensões. Durante o Congresso Internacional de Direitos Humanos da Amazônia, professores e lideranças se uniram para ocupar simbolicamente o espaço da conferência, enquanto o movimento na Secretaria de Educação do Pará (Seduc), iniciado no dia 14, permanece em vigor.
O que está em jogo Os manifestantes protestam contra a Lei Estadual nº 10.820/2024, que propõe a substituição de aulas presenciais pelo ensino on-line em comunidades indígenas e quilombolas, desconsiderando as realidades locais. A medida ameaça programas como o Sistema Modular de Ensino (Some) e o Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei), essenciais para garantir acesso à educação de qualidade e culturalmente apropriada em regiões remotas.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a ocupação na Seduc tem enfrentado uma postura hostil do governo estadual. Relatos de cerco policial, impedimento de entrada de apoiadores e jornalistas, e a suspensão do fornecimento de água e energia foram registrados.
Ações do MPF Em resposta, o MPF requisitou ao governador Helder Barbalho e ao prefeito de Belém, Igor Normando, medidas para garantir o direito à manifestação pacífica e o respeito à dignidade dos participantes. Procuradores enfatizaram que “ocupações pacíficas não são crime” e reforçaram a necessidade de diálogo, destacando que o direito à consulta prévia, livre e informada deve ser assegurado.
Manifestações no Congresso Os Educadores realizaram manifestações e ato de ocupação do espaço do Teatro Maria Sylvia Nunes onde acontece o Congresso Internacional de Direitos Humanos como forma de denunciar este retrocesso e em apoio a ocupação da SEDUC.
Um ato simbólico também ocorreu nos portões da Secretaria, reunindo lideranças de várias frentes para denunciar a truculência estatal. Entre os participantes, destacaram-se membros da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa), da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e de outras organizações comprometidas com a justiça social e a defesa dos direitos humanos.
Por que essa mobilização importa? A luta dos povos indígenas e quilombolas não é apenas uma defesa de direitos educacionais, mas também um clamor por respeito e dignidade. Essa mobilização reflete a resistência contra o abandono estatal e a imposição de políticas que desconsideram a realidade e as especificidades culturais dessas comunidades.
A REPAM segue atenta aos desdobramentos representada no Congresso por Joana Menezes e, na ocupação da Seduc, por Eduardo Soares, ambos da Articulação REPAM para COP 30. Reafirmamos o compromisso com a defesa dos direitos humanos e da justiça social na Amazônia.
Congresso Internacional de Direitos Humanos da Amazônia destaca Justiça Climática e Vozes dos Povos da Floresta
Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM
Amanhã, o Congresso Internacional de Direitos Humanos da Amazônia abrirá suas portas para um diálogo crucial sobre justiça climática e os direitos dos povos da floresta. Organizado pelo Governo do Estado do Pará, o evento traz como tema central: “Direitos Humanos, Justiça Climática e Autodeterminação dos Povos da Floresta”. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos, busca compreender e debater como as comunidades que vivem em territórios amazônicos enfrentam a crescente crise climática e suas consequências na garantia dos direitos humanos.
Para aprofundar as expectativas em torno desse congresso, conversamos com Joana Menezes, articuladora da REPAM para a COP 30.
Expectativas sobre o congresso Joana ressalta que o evento representa uma oportunidade importante de trazer à luz a pauta que o Brasil apresentará na COP 30. “Espero que este evento nos traga pontos de esclarecimento sobre como os povos e comunidades tradicionais, lideranças dos territórios e maretórios realmente serão ouvidos. Precisamos que as vozes daqueles que cuidam da biodiversidade sejam centrais nesse debate.”
Temas essenciais a serem discutidos O evento foi estruturado para abordar a relação direta entre a crise climática e as violações aos direitos humanos, colocando o foco nos guardiões da Amazônia: povos indígenas, ribeirinhos, mulheres quebradeiras de coco e agroextrativistas. Joana destaca que essas populações detêm conhecimentos fundamentais para a preservação do meio ambiente e a construção de soluções duradouras.
Atenção urgente do Brasil Joana alerta para a necessidade urgente de incluir essas comunidades nas decisões políticas: “O Brasil precisa ouvir os povos das florestas, das águas e dos mares. Esses grupos não são apenas vítimas das mudanças climáticas, mas também protagonistas de alternativas sustentáveis e justas para a conservação ambiental.”
O congresso se configura como um momento essencial para reforçar a necessidade de justiça social e climática, ressaltando que o futuro da Amazônia e do planeta depende de um diálogo inclusivo e de ações efetivas.
A REPAM estará presente no evento, acompanhando os debates e reafirmando seu compromisso com a luta pelos direitos humanos e pela preservação da Amazônia.
Irmã Simona Brambilla é a primeira mulher prefeita no Vaticano
Vatican News
O Papa Francisco escolheu a religiosa das Missionárias da Consolata para conduzir o dicastério junto com o cardeal Ángel Fernández Artime, que foi nomeado pró-prefeito. Assim, aumenta o número de mulheres em posições de destaque no VaticanoIrmã Simona Brambilla, ex-superiora geral das Missionárias da Consolata, completará 60 anos no próximo dia 27 de março. Esta segunda-feira, 6 de janeiro, o Papa a nomeou prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, do qual foi secretária a partir de 7 de outubro de 2023; foi a segunda mulher a ocupar esse cargo na Cúria Romana, após a nomeação em 2021 da irmã Alessandra Smerilli para o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Francisco escolheu como pró-prefeito do dicastério Ángel Fernández Artime, 65 anos, criado cardeal no Consistório de 30 de setembro de 2023.
Irmã Simona Brambilla, a primeira mulher prefeita no Vaticano, traz em seu currículo uma experiência missionária em Moçambique depois de se formar como enfermeira profissional e ingressar nas Irmãs Missionárias do Instituto da Consolata, que guiou de 2011 a 2023. Em 8 de julho de 2019, o Papa nomeou sete mulheres membros do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica pela primeira vez. Em seguida, a irmã Brambilla foi escolhida primeiro como secretária do Dicastério e agora como prefeita.
Desde o início do magistério do Papa Francisco, a presença de mulheres aumentou significativamente. De acordo com os dados gerais referentes tanto à Santa Sé quanto ao Estado da Cidade do Vaticano e que vão de 2013 a 2023, a porcentagem de mulheres aumentou de quase 19,2% para 23,4%. Em um caminho traçado com a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium de 2022, Francisco tornou possível que, no futuro, também os leigos e, portanto, inclusive as mulheres, pudessem chefiar um dicastério e se tornar prefeitos, uma posição anteriormente reservada a cardeais e arcebispos. No Estado da Cidade do Vaticano, o Papa Francisco nomeou duas mulheres para cargos importantes nos dez anos de seu pontificado: em 2016, Barbara Jatta, diretora dos Museus Vaticanos, que sempre foram dirigidos por leigos. Em 2022, a nomeação da irmã Raffaella Petrini, secretária-geral do Governatorato, uma função normalmente atribuída a um bispo.
Há várias subsecretárias, como Gabriella Gambino e Lina Ghisoni no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, enquanto no Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, a irmã Carmen Ros Nortes, das Irmãs de Nossa Senhora da Consolação, é subsecretária. Emilce Cuda é secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina; Nataša Govekar conduz a direção teológico-pastoral do Dicastério para a Comunicação; Cristiane Murray é vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé, e Charlotte Kreuter-Kirchof é vice-coordenadora do Conselho para a Economia. A Secretaria Geral do Sínodo também tem uma subsecretária, a religiosa francesa Nathalie Becquart.
Nos próximos dias, as inspetorias da Rede Salesiana Brasil receberão a versão física da Estreia 2025, que traz como tema central: “Ancorados na esperança, peregrinos com os jovens”. Este lema, profundamente conectado ao carisma salesiano, convida toda a Família Salesiana a viver a esperança e o compromisso com os jovens de forma renovada, especialmente em um ano marcado por eventos históricos e celebrações significativas. A canção teve letra e melodia compostas por Jean Lopes e cantada pela Ir Selena Couto e Pe Vinícius Ricardo de Paula.
Lançado oficialmente pela Agência Info Salesiana (ANS), o pôster da Estreia sintetiza visualmente a mensagem do lema. Criado pelo designer português Nuno Quaresma, membro do Gabinete de Comunicação Social da Inspetoria Santo Antônio, de Portugal, o cartaz é uma obra rica em detalhes que reflete o carisma e a espiritualidade salesiana.
A composição do pôster ainda inclui elementos como os Alpes – representando o berço do carisma salesiano – é uma releitura do logotipo do Jubileu de 2025 no canto superior direito.
O pôster está disponível em várias línguas, incluindo português, e pode ser acessado por meio do ANS-Flickr.
Tema da Estreia – O tema da Estreia 2025, escolhido pelo Cardeal Fernández Artime em colaboração com o Pe. Stefano Martoglio, reflete dois marcos importantes:
O Jubileu Ordinário de 2025, proclamado pelo Papa Francisco, sob o tema da esperança: Spes non confundit (Rm 5,5) – A esperança não engana.
O 150º aniversário da Primeira Expedição Missionária Salesiana, enviada por Dom Bosco à Argentina.
Conforme explicou o Reitor-Mor, a Estreia deste ano celebra a esperança como força transformadora na vida dos jovens e das comunidades salesianas. Além disso, reforça o compromisso de caminhar com os jovens, acolhendo suas dores e sonhos.
O comentário completo da Estreia será apresentado pelo Pe. Stefano Martoglio no final de dezembro e, como de costume, entregue às Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) e a toda a Família Salesiana.
O ano de 2025 é um marco histórico para a Igreja e a Congregação Salesiana. A Estreia convida todas as comunidades a mergulharem na espiritualidade da esperança, construindo pontes de solidariedade e compromisso com os jovens, especialmente os mais vulneráveis.
“Ancorados na esperança, peregrinos com os jovens” nos lembra que a missão salesiana é um caminho contínuo de renovação e fé, guiado pela luz de Cristo e pelo exemplo de Dom Bosco e Madre Mazzarello.
Para enriquecer ainda mais as reflexões sobre o tema, a música da Estreia 2025 foi lançada hoje nas plataformas digitais. A melodia promete ecoar a mensagem de esperança e compromisso da Família Salesiana ao longo de todo o ano.